Você está sendo vigiado!
Postado em Tecnologia | 29 Janeiro, 2013
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Já notou que aplicativos e sites hoje em dia oferecem conteúdo tão direcionado e selecionado para você? Mas saiba que esta personalização pode custar caro!

Você abre um site e se surpreende: curiosamente, a propaganda ao lado é de algo que você realmente tem interesse. Sugestões de amigos e Fanpages no Facebook são familiares com assuntos que você estava navegando em outro site.
 
Esta “facilidade” em oferecer propagandas, sugestões e conteúdos personalizados é muito interessante e, às vezes, até útil. Mas a tecnologia por trás dela pode e, certamente, é usada em benefício das empresas.  Sua navegação e hábitos online estão sendo monitorados por grandes empresas como Google, Facebook, Twitter e outros agregadores de publicidade.
 
 
Como isto ocorre, porque, e como evitá-los?

O grande “vilão” é famoso, mas poucos sabem por que ele existe e como evitar seu mau uso. São os cookies, pequenas informações solicitadas pelo site para que sejam armazenadas pelo navegador.

 
Os cookies permitem que um site saiba quem você é e quando retorna a ele. Tecnicamente, essas informações deveriam ser armazenadas e enviadas apenas para o mesmo site. Por exemplo, ao acessar este artigo, alguns cookies são armazenados pelo servidor para conseguir identificar sua “sessão”, ou seja, você. Quando clica em outra página dentro do site, ele sabe que ainda se trata do mesmo usuário. Assim, pode coletar estatísticas, como o modo com que você navega na página, ou ainda deixar conteúdos preparados para sua navegação através de cache.
 
São também os cookies que permitem a um site guardar seu login e senha, assim não é necessário digitá-los a cada click. Sem cookies, seria impossível para qualquer site identificá-los e, portanto, nada feito para sites como webmail, redes sociais, fóruns, dentre outros. Mas os técnicos sempre têm um jeitinho especial de usar esta tecnologia tão importante para vigiá-lo quando não deveriam. Ou melhor, quando você concordou com os enormes "termos de uso" ao se cadastrar.
 
Um exemplo é o Google Analytics, o software de estatísticas mais utilizado. O Analytics permite a qualquer site coletar estatísticas de seus usuários, e ainda gera relatórios para seus proprietários. Seria algo ingênuo e totalmente inofensivo, não fosse o fato do mesmo Google Analytics poder também armazenar seus dados entre sites diferentes. Isso porque esta ferramenta está relacionada à ferramenta de busca da Google, além de estar presente em muitos sites.
"Infelizmente, não temos como saber o que cada empresa fará com esses dados no futuro"

Você visita o site A, achando que apenas este está guardando estatísticas sobre sua visitação. Sem problemas, legal o site saber quantas pessoas acessam seu conteúdo, certo? Mas ao ir para o site B, totalmente não relacionado, o Google Analytics, com o mesmo Cookie, também está por lá. Agora ele tem essa informação, sabe que os sites A e B foram visitados, e também que logo depois você fez uma busca no Google e foi para o site C.

Você gosta de redes sociais? Então provavelmente está logado em uma delas. Hoje em dia é muito comum nas páginas os famosos botões de “curtir” ou “tweet” nos artigos. Isso pode ser bom para você, porque pode facilmente compartilhar algo interessante com seus amigos. No entanto, muitos não sabem, mas estes botões sociais carregam os dados direto da fonte. Afinal, é necessário saber tudo sobre você, seu perfil, likes, compartilhamentos, tweets. E novamente a rede social está lá, monitorando tudo que faz, passo a passo.

E o que dizer dos inúmeros sites de propaganda? Até mesmo o Google AdWords coleta informações sobre sua navegação. Se você tem uma conta no Google, como Gmail ou YouTube, então provavelmente está logado nela agora. Quando uma propaganda via AdWords é exibida, ou se o site usa Google Analytics, lá vai para o servidor da Google, ou de outro site de propagando, seu hábito de navegação.
 

NÃO ME SIGA!

Existem várias soluções para tentar evitar que tantos sites monitorem o que faz, compra ou “curte”. Confira algumas dicas:

 
1. Desligar os cookies.

Desligar os Cookies é a mais poderosa maneira de evitar que você seja monitorado, mas ao mesmo tempo é a que mais destrói sua capacidade de navegar na internet. Você não poderá mais ficar conectado em nenhum site, rede social ou webmail, e alguns só funcionam se puderem gravar certas informações sobre você. Para os mais neuróticos que não usam nenhum tipo de serviço assim, pode até ser uma opção. Mas para o resto dos mortais, que gostam de dar uma olhada nas fofocas do Facebook ou usar um webmail qualquer, é inviável.

2. Cookies só para o site que eu estou navegando!

 

Os Cookies só deveriam ser fornecidos ao site em que você está, de modo a aperfeiçoar e fornecer os recursos de identificação necessários para manter sua “sessão”. Mas não é o que acontece: ao visitar um site, diversos scripts usam cookies para identificá-lo também para outros sites. É o caso das estatísticas terceirizadas como o Google Analytics, os botões de redes sociais, as propagandas, etc.
 
Um excelente modo de garantir que só o site navegado possa lhe identificar é desabilitar a opção de “cookies de terceiros”. Por exemplo, com cookies para terceiros habilitados, um site que tenha o plugin social “Likebox” do Facebook dá preferência para exibir o avatar de seus amigos que também curtiram o site. Se você habilitar esta opção, o Facebook não terá mais como saber quem é você, e exibirá uma lista genérica de pessoas. Confira abaixo como fazer em alguns navegadores:
 

 

Bloqueando Cookies de terceiros

 

3. “Não me siga”

Alguns navegadores aderiram ao movimento “Não me siga” (Do not track), que enviam junto aos cookies um pedido para que não seja usado para lhe seguir, mas apenas identificar e fornecer conteúdo direcionado. Infelizmente, a maioria dos sites e servidores está aderindo ao movimento reverso: ignorar esta opção. Mas não custa nada deixá-la ativada. Veja como em alguns navegadores abaixo:

 

Habilitando a opção de Não me Siga

 

4. Extensões ou ad-ons “Não me siga”

A maioria dos navegadores permite a instalação de extensões, e quase todos possuem algumas para proteger sua privacidade, evitando que cookies ou outras formas de monitoramento funcionem. É radical, mas ideal para os que não confiam em desligar apenas os cookies de terceiros (opção 2), mas precisam deles para usar webmail ou rede social. O problema é que, ao contrário de apenas não ter mais informação direcionada, o conteúdo geralmente simplesmente é ignorado ou não apresentado. Confira algumas destas extensões:

No Chrome: https://chrome.google.com/webstore/search-extensions/DNT?hl=pt-BR

No Firefox: https://addons.mozilla.org/en-US/firefox/search/?q=DNT&appver=17.0&platform=windows

O Internet Explorer 9+ não possui plugins deste tipo, pois a ferramenta é considerada eficiente suficiente (será?).

Conclusão

Os Cookies são geralmente usados para o bem, para melhorar a experiência na internet, fornecer conteúdos e propagandas personalizadas. Infelizmente, não temos como saber o que cada empresa fará com esses dados no futuro. Desabilitar os cookies quebraria muitos recursos importantes nos sites, mas não se proteger, quando é tão fácil, também não vale a pena. Nossa sugestão? Desligue os "cookies de terceiros". Os plugins sociais não vão funcionar direito, as propagandas não vão ser direcionadas, mas você terá sua privacidade um pouco mais protegida.

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